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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

YOU WON'T BRING ME DOWN



Já dá pra ver que 2015 começou com tudo mesmo no mundo da house music e mais precisamente no Brasil não está sendo diferente! Resultado: novo single da cantora Nicky Valentine em parceria com o DJ Allan Natal. O lançamento oficial no Itunes foi no dia 09 de fevereiro, e o EP conta com 4 versões: original, club, radio edit e orchestral.




NICKY
Foto: Nicky Valentine

A cantora Nicky Valentine é de São Paulo e fez seu debut na cena com um single em parceria com o DJ Morais (residente da The Week) chamado "Give Me Some More". Tive o prazer de fazer um remix pra essa música a convite do Morais e lembro que na época gostei de cara da Nicky pela sua potência e qualidade vocal, além de cantar em inglês muito bem (muitas vezes um impedimento pra algumas cantoras, já que a house music como todos sabem tem uma forte influência dessa língua). É incrível ver também como ela evoluiu como artista desde então e hoje posso dizer sem arriscar que na cena de house nacional, Nicky é uma das mais preparadas e completas, sempre nos presenteando com trabalhos de qualidade. Há pouco tempo atrás, investiu também no pop - o que também é muito inteligente, já que no Brasil o ritmo tem um nicho muito pouco explorado. Mas pelo visto, as raízes na house music vão ter sempre seu lugar, pois nesse novo trabalho ela conseguiu chegar a um nível que compete tranquilamente com lançamento internacionais da área. Acesse aqui a página oficial da cantora no Facebook.


ALLAN
Foto: Allan Natal

O DJ e produtor Allan Natal é meu conterrâneo aqui de Belo Horizonte e já tive o prazer também de dividir a cabine com ele por várias vezes. Assim pude acompanhar de perto sua carreira e seu trabalho desde o início, já que sempre o vi tocar nos clubes. Um cara muito profissional, que sempre fez um som impecável nas pick-ups, cheio de qualidade e personalidade, e que há muito tempo também produz (foi um dos primeiros a produzir pro público do tribal house aqui no Brasil, diga-se de passagem; e hoje um dos melhores, sem dúvidas). Allan também é bem reconhecido na cena gringa, principalmente no México, onde tem uma base de fãs talvez tão grande quanto a que tem aqui no Brasil. Já tem um tempinho que ele vem lançando um hit atrás do outro (como a ótima "Perfect Universe" em parceria com a cantora espanhola Soraya Naoyin), e acho que dessa vez não será diferente. Você pode conferir os outros trabalhos do DJ em seu perfil no Soundcloud.


SEMPRE PRA CIMA

"You Won't Bring Me Down" tem vocais poderosos da Nicky, em uma letra que provavelmente vai ficar na sua cabeça depois de ouvir algumas vezes, além de uma produção impecável carregada de emoção. Tem uma linda melodia com violinos e guitarras nos breaks (que eu particularmente gosto muito e acho que sempre tem seu lugar); e batidas beeem dançantes, com alguns sintetizadores mais agressivos que fazem sua função - pesar um pouco na hora que é pra se jogar. Perfeita para o cenário que quer atingir: o do club e tribal house. Um excelente trabalho que só me faz acreditar mais que temos sim que valorizar o que é nosso! Um ótimo recado pros donos de clubes que vivem de atrações internacionais. Para ouvir a Radio Edit, você pode clicar aqui


Felipe de Lima é DJ, tem 30 anos e mora em Belo Horizonte (MG). Para conhecer seu trabalho, curta sua página no Facebook ou então siga seu perfil no Soundcloud. Lá você encontra sets, remixes e muita house music.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

PRAYING FOR GOD

Foto: Calvin Harris
E aí está ele de volta, dando o que falar. Há poucas horas o superstar DJ Calvin Harris soltou em seu perfil do Soundcloud um remix de uma das músicas de seu último álbum "Motion" com vocais das irmãs do HAIM. O remix foi feito em parceria com o DJ Mike Pickering e carrega também o nome "Hacienda", que vem do clube The Haçienda, um dos principais clubes de house da década de 80 e 90, clube este que Mike trabalhou também. Conseguem pegar o contexto?

PRAY FOR GOD

Foto: HAIM
A música se chama "Pray For God" e a versão original que está no álbum tem a pegada de sempre do Calvin Harris, aquele progressivo bem animado que dá vontade de sair pulando por ai. Conta com as belíssimas vozes da HAIM, que é uma banda de indie rock de Los Angeles (EUA), formada por três jovens irmãs super entendidas de moda (e que inclusive neste último Grammy foram indicadas a artista revelação e foram consideradas as mais bem vestidas do evento). 


CLIPE

O clipe também foi lançado poucas horas depois do remix, foi dirigido por Emil Nava (responsável por visuais de Jessie J. e Ellie Goulding) e mostra as irmãs do HAIM na neve brincando com lobos e montadas em cavalos. Um belo clipe, diga-se de passagem. Você pode conferi-lo junto com a música em sua versão original abaixo:




HACIENDA

Foto: Fac 51 The Haçienda
Fac 51 The Haçienda, ou para os íntimos simplesmente The Haçienda, foi um dos clubes mais famosos e importantes para a cena de house mundial. Ficava em Manchester, na Inglaterra e ficou aberto de 82 até 97, tendo como som principal o acid house. Na década de noventa foi considerado o clube mais famoso do mundo, ou seja, muita gente fera frequentou o templo inglês da house music! Inclusive poucos sabem mas o New Order bancou um bom tempo uma parte do clube com dinheiro de venda de discos. O DJ Mike Pickering trabalhava lá em algumas festas também.


DEEP HOUSE
Foto: DJ Mike Pickering

E qual o cenário atual? Deep House. O deep de hoje é mais uma mistura de minimal com beach, mas é fato que ele sempre existiu desde o início da house music. Com suas influências de soul e jazz, ele é mesmo muito parecido com muita coisa feita na década de 80, quando o house começava a engatinhar. A sacada de Calvin Harris? Investir nessa onda com quem muito a conhece, que é seu parceiro musical e ex-DJ da Hacienda, o Mike Pickering. E acertou em cheio.


TOQUE DIVINO

Bem diferente da versão original, o remix de "Pray for God" ainda ficou leve e dançante, na minha humilde opinião combinou até mais com os vocais da HAIM e ainda deu um verdadeiro baile de "como-fazer-o-verdadeiro-house" em muito produtor por ai, viu! Acho que fez muita gente lembrar das recordações e dançar de novo nas pistas da Hacienda (eu não, que era apenas um bebê, rs). Não sei não, mas essa música ta me "cheirando" a hit, tanto o remix quanto a original! Mas antes de mais nada, confere ai e vê o que acha:



Felipe de Lima é DJ, tem 30 anos e mora em Belo Horizonte (MG). Para conhecer seu trabalho, curta sua página no Facebook ou então siga seu perfil no Soundcloud. Lá você encontra sets, remixes e muita house music.

HOUSE MUSIC

O objetivo desse espaço é falar sobre house music - que está ou não está no mainstream. Quando digo "house", me refiro a muitos estilos e pegadas diferentes, até porque como diz a Wikipedia, o house nada mais é que uma batida 4/4 gerada numa bateria eletrônica, completada com uma sólida (muitas vezes geradas eletronicamente) linha de baixo e, em muitos casos, acréscimos de samplers, ou pequenas porções de voz ou de instrumentos de outras músicas. 


HOUSE E SUAS VERTENTES

Se pegarmos a história do house nos EUA até meados dos anos 90 (o house nasceu em Chicago nos anos 80), por exemplo, veremos uma evolução de ritmos e influências diferentes: acid, electro, tech, progressive, club, tribal, etc. Depois que o ritmo caiu no gosto europeu, algumas dessas vertentes evoluíram com características próprias do continente. O tribal, por exemplo, que teve uma grande influência no house da península ibérica (Portugal e Espanha) por lá recebeu novas nuances e ganhou o simpático nome de balearic, um ritmo que chegou até a tocar bastante no Brasil, em algumas pistas que já tocavam o tribal house. O deep house mesmo que tanto bomba hoje em dia em nossas pistas, nada mais é que uma mistura de minimal com beach house, ritmo muito tocado em lounges europeus dos anos 2000. Dá pra notar que essa música é especial: o house evolui tanto que sempre acaba se reinventando, ano após ano.


WWW, P2P E MP3

Desde os anos 2000 (com o avanço da internet), a música eletrônica teve um grande salto. Enquanto a indústria da música tradicional sofreu um grande colapso com a invenção do MP3 e a posterior febre do compartilhamento pirata, a música eletrônica foi uma das grandes beneficiadas, já que antes disso poucos artistas conseguiam fazer algum sucesso com suas gravadoras independentes ou mesmo a ponto de serem convidados por uma gravadora maior. O independente, o cult, a música do gueto - tudo o que era marginalizado virou pop. Tudo aquilo que era de difícil acesso antes da internet, agora estava ali - bastava alguns cliques e um pouco de paciência (até completar o download). E com isso, DJs se tornaram tão conhecidos quanto cantores e bandas do pop tradicional e se tornaram ídolos pop também, como David Guetta e Calvin Harris, por exemplo. 


MAIS UMA VEZ A INTERNET

E mais uma vez o house music se beneficia da internet. Depois das MP3s e compartilhamentos piratas vieram os programas de produção musical eletrônica. Quem tinha um conhecimento musical prévio somado a esses programas, plugins sampleadores, tutoriais e muita criatividade, já conseguia produzir uma música - que fosse experimental - e assim que a terminasse já se poderia inclusive divulga-la em suas redes sociais para seus amigos ou sua base de fãs. Não é a toa que os DJs se tornaram artistas pop... é só pensar os motivos que os levaram ao pódio. Os que primeiro tiveram essa visão empreendedora, chegaram primeiro por lá.


HOUSE E POP - AMIGOS OU INIMIGOS?

É interessante perceber também que hoje em dia um artista que produz house music pode ser pop também, porque não? A house music se tornou popular, se tornou parte de álbuns de cantoras pop, se tornou parte de músicas de bandas de rock alternativo, se tornou parte do dia a dia das pessoas. E isso não significa que tudo seja um lixo comercial, até porque hoje em dia com tantos reality shows musicais, as pessoas estão cada vez mais entendidas sobre música e qualidade musical, e exigem mais e mais qualidade e criatividade. Na era que vivemos - a da informação rápida, mastigada e compartilhada - no mainstream não existe mais espaço para lixos, mesmo que seja algo que não te agrade. Tenha certeza que aquilo que você julga terrível pode agradar a muitos - e muito! Isso tudo deu um segundo grande salto para a música eletrônica: a profissionalização.


HOUSE PROFISSIONAL

Hoje em dia é necessário para um produtor de house music ter uma música que irá competir em qualidade com as músicas que tocam nas rádios, então o que esperamos da maioria de DJs e produtores de house music é que produzam músicas de qualidade. Com tantos cursos de profissionalização no mercado, não foi muito difícil para o nível de qualidade subir, e claro, nossos ouvidos agradecerem. Isso é sinal que house music de qualidade está sendo feito - e consumido.


SOBRE O BLOG

Não que eu seja um expert em house music e música eletrônica, até porque é um material tão vasto que eu acho quase impossível alguém entender de tudo. Mas mais de 20 anos no mundo da música, dentre aulas de instrumentos musicais, discotecagens e produções musicais me fizeram ter um ouvido razoável e um gosto bem particular. Hoje em dia consigo separar o joio do trigo, consigo perceber as coisas de qualidade e por vez ou outra consegui até antecipar uma tendência ou uma música que fariam sucesso meses mais tarde. E não que eu seja um gênio por isso, simplesmente é uma mistura de amor e observação. Qualquer apaixonado por house music como eu pode chegar a esse nível ou até passá-lo facilmente, basta se dedicar.


SOBRE HOUSE

Mas chega de falar de mim, porque o foco não é esse. Aqui você vai encontrar exatamente isso: meu amor sobre house music, meus conhecimentos sobre a área, músicas novas, artistas em foco, mainstream, pop ou cult. De tudo um pouco porque é disso que eu entendo também, de tudo um pouco. 


Felipe de Lima é DJ, tem 30 anos e mora em Belo Horizonte (MG). Para conhecer seu trabalho, curta sua página no Facebook ou então siga seu perfil no Soundcloud. Lá você encontra sets, remixes e muita house music.