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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O DESFLOP DE GAGA

De acordo com a Wikipedia, flop é uma forma para determinar se algum artista não teve sucesso comercial com as suas obras. E bom, de flop Lady Gaga entende. Depois de ter vendido mais de 12 milhões de cópias do seu álbum de estréia (o "The Fame"), de emplacar duas primeiras posições no HOT 100 da Billboard (com "Just Dance" e "Poker Face"), e alcançar a fama mundial, que foi ainda reafirmada um tempinho depois com o lançamento de "The Fame Monster" e o fantástico vídeo de "Bad Romance", a cantora virou alvo de críticas, ora por sua excentricidade, ora por não conseguir mais o mesmo sucesso (o que é muito relativo, já que "Born This Way" e "Artpop" atingiram a primeira posição de venda de álbuns da Billboard) e viu sua carreira e vida mergulhar num "buraco de avestruz". Lady Gaga, apesar de todo seu brilhantismo como artista, conseguiu a antipatia da audiência.


SER CANTOR SEM SABER CANTAR

Já não é de hoje que o mundo pop é alvo de críticas dos "grandes sábios e entendidos de música". As pessoas acham que uma cantora que tem toda uma bagagem, entende de moda, é excêntrica, faz palhaçadas, ou gosta de entreter através de dança ou shows espetaculares, obrigatoriamente não saberá cantar e terá sua voz controlada em estúdio por autotune (para os leigos, autotune seria um photoshop da voz). É meio óbvio que se use autotune ou algum outro corretor de voz para corrigir alguma falha ou desafinação, mas é meio óbvio também que para ser cantor hoje em dia é necessário saber cantar. Quem inventou que alguém pode ser cantor sem saber fazer o que é mais necessário pra isso? Impossível! Pela minha experiência, a pessoa pode até tentar, tomar um banho de autotune, mas se não souber cantar um pouquinho que seja, vai ficar horrível, nunca chegaria ao nível de ser comercializado. E isso é um fato, não uma opinião. Então, deixando o preconceito de lado, qual o problema com o pop?


POP FAZ INIMIGOS


Diferente de outros ritmos musicais, o pop foi criado para ser chiclete, bater na cabeça das pessoas e fazer gostar de cara. Para isso, se usam melodias simples, influências do ritmo que está mais na moda e claro, muitos efeitos eletrônicos roubados do dance e do house music. Já tem alguns anos que o pop é muito mais parecido com o house do que com qualquer outro ritmo. Pode pegar aí sua listinha de cantores pop e pode ver que a maioria usa e abusa dos elementos eletrônicos. Podemos dizer que hoje o pop é o lado mais comercial e vendável da música eletrônica - não é a toa que David Guetta e Calvin Harris já são considerados música pop, porque eles descobriram a chave do sucesso de vendas. E isso é a alma do pop, esse "feeling" pra criar algo vendável. E claro, isso é um prato cheio para todos os "intelectualóides" e "amantes de boa música" de plantão destilarem seu veneno sobre o pobre ritmo musical.


PRECONCEITO

Se você chegou até aqui, já dá pra imaginar que na verdade o pop sofre é de um grande preconceito. A loucura é tamanha que DJs e amantes de música eletrônica costumam chamar o pop de "lixo musical". Estariam chamando a si mesmos de "lixo"? Todo esse preconceito gera falsos conceitos sobre o artista em si, e daí vem o boato que eles são apenas marionetes do business, que não sabem cantar, que são papagaios de assessores, etc. E com a Gaga, não é diferente. Pouca gente sabe, mas a cantora estudou música na Tisch School of Art de NY, onde foi aceita com apenas 17 anos. Além disso, ela teve seu primeiro show de destaque ao lado de Lady Starlight, no festival Lollapalooza dos EUA. Além de cantar, ela sabe muito sobre moda, já até escreveu artigos para editoriais, o que deve colaborar (e muito!) para sua excentricidade no modo de vestir.


DESCONSTRUÇÃO

Mas apesar do que acham, Lady Gaga é uma mulher inteligente e perspicaz. Depois de ver sua cria - seu excelente álbum "Artpop" - flopar, ela começou a correr atrás de desconstruir a própria imagem. Uma jogada de mestre, eu diria, pois só assim mesmo para dissipar toda aquela antipatia que as pessoas pegaram dela por sua excentricidade toda. Primeiro, ela se ausentou da mídia por um tempo e nas poucas vezes que apareceu se apresentou de forma menos excêntrica. Tratou de fugir do pop e de todos os urubus que ficam ali rondando e esperando a próxima presa desfalecer e atirou para um lado que muitos estranharam - o jazz. Catou Tony Bennet (respeitadíssimo nos EUA) pelo cangote, o encantou com sua voz e gravou um álbum com ele: álbum este que faturou um Grammy e foi muito elogiado pela crítica. Gaga ali mostrava pela primeira vez que sabia cantar mesmo. Afinal, ela sabia cantar jazz, o que pra muitos cantores é um grande desafio ou simplesmente não acontece. Muitos se perguntaram: será que ela se encontrou e não volta pro pop? Será que ela agora só vai cantar jazz? E ela se fez de boba, dizendo que não sabia...


OSCAR

E então, depois de uma ótima apresentação com Bennet no Grammy deste ano, ela se apresenta no Oscar 2015, cantando um tributo ao filme "A Noviça Rebelde". Uma apresentação impecável, uma das mais lindas que o Oscar já teve, que lhe rendeu elogios até do hater mais odioso, pode apostar. E assim ela conseguiu o que queria: desconstruiu sua própria imagem para provar para o mundo que sabia cantar. Eu já sabia disso tudo que o mundo só descobriu ontem a noite, e posso dizer que ela é tudo isso sim - e mais um pouco. Duvido que ela deixe o pop de lado, mas uma coisa é certa, Gaga ontem provou que pode também ressurgir das cinzas. E essa arte de se construir, desconstruir e se reconstruir já vimos muito por aí em uma outra artista, que hoje tem quase 60 anos e ainda consegue esse feito. Será que Gaga também dura até os 60? Eu acho que sim! Assista a apresentação da cantora abaixo:




REMIX

Quem me conhece sabe que sou fã, foi a artista que nesses anos de produtor eu mais remixei. Um dos primeiros remixes que fiz na minha vida foi de "Just Dance" e desde então não parei até seu último single, "G.U.Y", que você pode conferir aqui.


Felipe de Lima é DJ, tem 30 anos e mora em Belo Horizonte (MG). Para conhecer seu trabalho, curta sua página no Facebook ou então siga seu perfil no Soundcloud. Lá você encontra sets, remixes e muita house music.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ABSOLUTAMENTE DEBORAH

Já ouviu falar em Deborah Cox? Pode não ser um nome muito conhecido entre os adoradores das divas pop do momento, como Lady Gaga, Katy Perry e Beyoncè, mas entre os maiores de 30 provavelmente você achará vários que a conhecem e já dançaram muito ao som de suas músicas nas pistas daqui do Brasil e do exterior também.


R&B E HOUSE

A cantora e atriz de 40 anos que nasceu no Canadá, começou sua carreira há exatos 20 anos cantando R&B (no estilo de Mariah Carey e Mary J Blige) e já fazendo muito sucesso. Sua música "Nodoby's Supposed To Be Here" mantinha o recorde de maior sucesso das paradas de R&B da Billboard dos EUA, ficando 14 semanas em primeiro lugar (paralelamente com algumas semanas em número 2 no HOT 100 também), até que "Be Without U", da Mary J Blige quebrou seu recorde ficando em 2006 quinze semanas em primeiro lugar (o que também não tira em nada do seu mérito). A cantora também sempre teve suas músicas remixadas por grandes DJs da cena de club/tribal house, como Hex Hector e Tony Moran, o que também a contemplou com 12 primeiros lugares no chart Hot Dance Club Play também da Billboard; além de colaborações com grandes nomes da música como seu dueto em "Same Script, Differente Cast" com Whitney Houston


CARREIRA PARALELA

Deborah Cox também é atriz e já participou de trabalhos como Jekyll & Hide e AIDA - este último de onde saiu um de seus mais famosos trabalhos, o fantástico remix de Tony Moran para "Easy As Life", uma das músicas do espetáculo. Uma de suas mais recentes colaborações foi a participação no filme feito para a TV sobre a vida de Whitney Houston, onde ela fez a "voz" desta, cantando todos os clássicos da diva falecida em 2012.


NOVO SINGLE


Recentemente também, mais precisamente nessa semana, Deborah anunciou sua volta às pistas e às rádios com o o single "Kinda Miss You", carro-chefe de seu novo álbum chamado "Work of Art", com influências de electro house atual e pop inglês, bem dançante, com uma letra bacana e um refrão que cola depois de ouvir a música por algumas vezes. Muita gente criticou porque esperava sua volta ao R&B - mas como um grande conhecedor de sua música e sua carreira, posso dizer que apesar de pender muito pro lado do pop eletrônico, essa música está mais com a cara dela do que seus últimos trabalhos. Tudo bem, o refrão não é tão poderoso quanto "Easy as Life" ou "Nobody's Supposed To Be Here", mas isso não tira o brilho dessa fantástica performance que ela nos presenteou. Me fez voltar 10 anos no tempo e lembrar de como era bom dançar e gritar até berrar suas músicas, sempre carregadas de emoção. Aguardando ansiosamente por esse novo álbum! Para ouvir o novo single, assista o vídeo abaixo:



PISTA

Eu como o grande admirador do seu trabalho, não pude deixar também de dar um pitaco nessa celebração de 20 anos de carreira e ressuscitei lá do fundo do baú um de seus maiores clássicos: "Absolutely Not". Tentei fazer um remix atual sem que perdesse o charme e a melodia tão características da música e apesar de ter dado uma trabalheira pra acertar tudo, fiquei satisfeito com o resultado, bem dançante. Espero que gostem também! Para ouvir ou baixar, só clicar aqui.



Felipe de Lima é DJ, tem 30 anos e mora em Belo Horizonte (MG). Para conhecer seu trabalho, curta sua página no Facebook ou então siga seu perfil no Soundcloud. Lá você encontra sets, remixes e muita house music.